InícioEntrarCriar conta
Blank Sailing

Blank Sailing — Viagem em Branco

Blank sailing (ou viagem em branco) é o cancelamento da escala de um navio em um porto específico ou o cancelamento de toda a viagem programada de um serviço regular de linha. Na prática, significa que o navio que estava no cronograma do armador simplesmente não vai passar por aquele porto naquela semana, e a carga com booking confirmado precisa ser realocada em outro navio, outra data ou outro porto. No Brasil, a ANTAQ trata o assunto como omissão ou supressão de escala e impõe obrigações específicas ao transportador quando isso acontece.

Publicado em

O que é Blank Sailing?

Os armadores de contêineres operam serviços regulares (os chamados loops), com rotação de portos e frequência semanal definidas. Blank sailing é quando uma dessas partidas é retirada da programação. Pode acontecer de duas formas: o cancelamento de toda a viagem, em que aquela semana do serviço deixa de existir para todos os portos da rotação, ou o cancelamento de apenas uma ou mais escalas, em que o navio segue viagem mas pula determinados portos. Neste segundo caso, o mercado também usa a expressão port omission (omissão de escala).

Os motivos mais comuns são a gestão de capacidade em períodos de demanda fraca, como as semanas seguintes ao Ano-Novo Chinês, quando os armadores preferem cancelar partidas a navegar com navios vazios e derrubar o preço do frete. Também pesam congestionamento portuário, atrasos acumulados na rotação, mau tempo, greves e problemas técnicos na embarcação. Para quem exporta ou importa, o efeito é o mesmo em todos os casos: a carga não embarca na data prevista, o prazo de entrega se desloca e podem surgir custos de armazenagem adicional no terminal.

Na regulação brasileira, o termo em inglês não aparece. A Resolução ANTAQ nº 62/2021, que trata dos direitos e deveres de usuários e transportadores na navegação de longo curso e cabotagem, exige no art. 3º, inciso I, regularidade na prestação do serviço, por meio da realização da frequência e das escalas ofertadas aos usuários. O art. 14 determina que, em caso de supressão de escala, os transportadores marítimos efetivos adotem as medidas necessárias para entregar a carga no destino acordado, cumprindo o critério de pontualidade e sem cobrar custos extras do usuário, salvo nas situações de avaria grossa.

A Resolução ANTAQ nº 112/2024 foi além e definiu, em uma matriz de risco, quem paga a armazenagem adicional quando a carga fica parada no terminal. A omissão de escala aparece entre as causas atribuídas ao transportador marítimo efetivo, ao lado de problemas técnicos na embarcação e atrasos na chegada do navio. A mesma norma incluiu na Resolução 62/2021 infração com multa de até R$ 250 mil para quem cobrar do usuário armazenagem adicional pela qual ele não pode ser responsabilizado.

Quais os impactos do Blank Sailing na operação?

  • Rolagem da carga para o próximo navio disponível, às vezes com uma ou duas semanas de atraso
  • Perda de janela de entrega ao cliente final e risco de descumprimento de prazos contratuais e SLAs
  • Armazenagem adicional no terminal enquanto o contêiner cheio aguarda o novo embarque
  • Necessidade de refazer ou ajustar documentos de embarque, como booking, draft do BL e instruções de embarque
  • Redução da oferta de espaço nas semanas seguintes, com pressão sobre o valor do frete
  • Replanejamento de coletas, entregas no terminal (gate in) e prazos de deadline de carga

Blank Sailing x Omissão de Escala x Rolagem: qual a diferença?

TermoO que éQuem é afetado
Blank Sailing (viagem em branco)Cancelamento de toda uma partida programada do serviço, ou de escalas dentro delaTodos os embarcadores com carga naquela partida ou naquele porto
Omissão de escala (port omission)O navio mantém a viagem, mas deixa de atracar em um ou mais portos da rotaçãoApenas quem tinha carga para embarcar ou desembarcar no porto omitido
Rolagem (rollover)A carga de um embarcador fica fora de um navio que partiu normalmente, por falta de espaço ou overbookingEmbarcadores específicos, mesmo com o navio operando o porto normalmente

Perguntas frequentes sobre Blank Sailing

Quem paga a armazenagem se o navio cancelar a escala?

Pela matriz de risco da Resolução ANTAQ nº 112/2024, a omissão de escala é causa atribuída ao transportador marítimo efetivo, que responde pela armazenagem adicional e pelos serviços decorrentes nas instalações portuárias. Cobrar esse custo do usuário, quando ele não deu causa ao atraso, é infração prevista na Resolução 62/2021, com multa de até R$ 250 mil.

O armador pode cobrar custo extra para levar a carga em outro navio?

Não, como regra. O art. 14 da Resolução ANTAQ nº 62/2021 determina que, em caso de supressão de escala, o transportador marítimo efetivo tome as medidas necessárias para entregar a carga no destino acordado, com pontualidade e sem custos extras para o usuário. A exceção prevista é a avaria grossa.

Por que os armadores fazem blank sailing?

O motivo mais frequente é ajustar a oferta de navios à demanda. Em semanas de pouca carga, cancelar uma partida sai mais barato do que operar o navio com baixa ocupação e ainda ajuda a sustentar o preço do frete. Congestionamento em portos, atrasos acumulados na rotação, clima e problemas técnicos também levam a cancelamentos.

Blank sailing e omissão de escala são a mesma coisa?

São próximos, mas não idênticos. Blank sailing costuma se referir ao cancelamento de toda a partida de um serviço, enquanto a omissão de escala é quando o navio segue a viagem e só deixa de passar por determinados portos. No Brasil, a ANTAQ usa os termos omissão e supressão de escala para tratar as duas situações do ponto de vista do usuário que ficou sem embarque.

Continue aprendendo

Explore outros termos do Dicionário da Logística e aprofunde seus conhecimentos.

Voltar ao dicionário