O que é Picking?
Segundo o ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain), o picking pode ser definido como a atividade responsável por coletar o mix correto de produtos, nas quantidades corretas, na área de armazenagem, para atender à necessidade registrada no pedido do cliente — o que a literatura de supply chain também chama de order picking. É, na prática, a ponte entre o estoque parado nas posições do armazém e o pedido pronto para seguir viagem.
Essa ponte custa caro: levantamentos do próprio ILOS mostram que a separação de pedidos concentra entre 30% e 40% do custo de mão de obra de um armazém, variando conforme o tipo de operação, chegando a representar até 60% do custo operacional total de um centro de distribuição em análises mais amplas do setor. Boa parte desse custo vem do deslocamento: um estudo do ILOS sobre a atividade de picking mostra que o operador consome, em média, 50% do seu tempo apenas caminhando entre as posições de estoque — o restante do tempo se divide entre localizar o item, coletá-lo, esperar e outras tarefas. É esse peso do deslocamento que explica por que o desenho do layout do armazém costuma valer mais, em ganho de produtividade, do que qualquer tecnologia isolada.
Quais os principais tipos de Picking?
| Tipo | Como funciona | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| Picking discreto | Um operador separa um pedido inteiro por vez, do início ao fim, antes de iniciar o próximo | Baixo volume de pedidos ou operações que exigem rastreabilidade individual simples |
| Picking por lote (batch) | O operador coleta, em um único percurso pelo armazém, os itens de vários pedidos agrupados | Muitos pedidos pequenos com itens em comum, reduzindo deslocamento repetido |
| Picking por zona | O armazém é dividido em zonas fixas, e cada operador só separa os itens da sua zona; o pedido é consolidado depois | Armazéns grandes, com grande variedade de SKUs por área |
| Picking por onda | Pedidos são agrupados em lotes programados conforme horário de expedição, rota ou tipo de cliente | Operações que precisam sincronizar a separação com janelas de transporte e expedição |
Para que serve o Picking?
- Transformar o estoque parado nas posições de armazenagem em pedidos prontos para embalagem e expedição
- Garantir que o mix e a quantidade separados correspondam exatamente ao que o cliente pediu
- Servir de base para indicadores de acurácia e produtividade do armazém, como itens separados por hora e taxa de erro de separação
- Sustentar prazos de entrega, já que o tempo de picking é uma das maiores frações do ciclo do pedido (order-to-delivery)
- Orientar decisões de layout e endereçamento de estoque, posicionando os itens de maior giro mais perto da área de expedição
Picking x Packing x Conferência: qual a diferença?
| Atividade | O que é | Quando ocorre |
|---|---|---|
| Picking | Coleta do mix e da quantidade de itens do pedido nas posições de estoque | Depois da liberação do pedido pelo WMS, antes da embalagem |
| Packing | Embalagem e acondicionamento dos itens já separados, prontos para o transporte | Depois do picking, antes da expedição |
| Conferência (checagem) | Verificação de que os itens separados e embalados correspondem ao pedido original | Pode ocorrer após o picking, após o packing, ou nos dois momentos, conforme o processo |
Perguntas frequentes sobre Picking
Picking e packing são a mesma coisa?
Não. Picking é a coleta dos itens nas posições de estoque; packing é a etapa seguinte, de embalagem e acondicionamento desses itens já separados para o transporte. Em armazéns pequenos, o mesmo operador às vezes faz as duas coisas, mas são atividades distintas dentro do fluxo de armazenagem.
Qual o tipo de picking mais usado?
Não existe um único modelo ideal — a escolha depende do volume de pedidos, da variedade de itens, do layout do armazém e do nível de automação disponível. Muitas operações combinam modelos, por exemplo separando por lote dentro de zonas fixas, em vez de adotar um único tipo de forma pura.
Por que o picking pesa tanto no custo do armazém?
Porque concentra grande parte do tempo e da mão de obra da operação: segundo o ILOS, a separação de pedidos responde por 30% a 40% do custo de mão de obra de um armazém, e boa parte disso vem do deslocamento do operador entre as posições de estoque, que consome cerca de 50% do tempo da atividade.
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