InícioEntrarCriar conta
THC

THC — Terminal Handling Charge

THC (Terminal Handling Charge) é o valor cobrado pela movimentação da carga dentro do terminal portuário, entre o portão e o costado do navio. No Brasil, o termo é praticamente sinônimo de capatazia: o armador paga o terminal pelo serviço e repassa o custo ao exportador ou ao importador como uma taxa separada do frete. É uma das linhas que mais geram dúvida na fatura do agente de carga, principalmente porque convive com uma cobrança irmã, o THC-2, que há mais de uma década opõe terminais e recintos alfandegados e já passou pela ANTAQ, pelo TCU e pelo STF.

Publicado em

O que é THC?

A base legal do serviço remunerado pelo THC está na Lei nº 12.815/2013, a Lei dos Portos, que define capatazia, no art. 40, como a movimentação de mercadorias nas instalações do porto, incluindo recebimento, conferência, transporte interno, manipulação, arrumação e entrega, além do carregamento e da descarga de embarcações feitos com aparelhamento portuário. A lei distingue capatazia de estiva, que é o trabalho realizado a bordo. Na regulação da ANTAQ, o THC corresponde ao preço desse serviço: na exportação, do portão do terminal até o costado da embarcação; na importação, do costado até a pilha no pátio do terminal.

O THC-2, formalmente chamado de SSE (Serviço de Segregação e Entrega de Contêineres), é outra cobrança. O terminal portuário a aplica quando o contêiner importado não fica armazenado com ele e é entregue a um recinto alfandegado independente, como um porto seco. Os recintos argumentam que o serviço já está pago no THC; os terminais sustentam que se trata de uma operação adicional. Em 2022, o TCU considerou a cobrança ilegal e determinou à ANTAQ a anulação dos dispositivos da Resolução nº 72/2022 que a permitiam, entendimento reafirmado em 2024. Em março de 2026, a 2ª Turma do STF anulou os acórdãos do TCU e restabeleceu a eficácia da resolução, por entender que a escolha regulatória cabe à ANTAQ. A discussão concorrencial, porém, não foi resolvida por essa decisão.

O THC também tem reflexo tributário. No julgamento do Tema Repetitivo 1.014, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que os serviços de capatazia integram o valor aduaneiro e, portanto, a base de cálculo do Imposto de Importação. Por isso, o THC de destino não deve ser tratado apenas como despesa logística na composição do custo de importação.

Para que serve o THC?

  • Remunerar a movimentação do contêiner entre o portão do terminal e o costado do navio
  • Separar, na fatura, o custo da operação portuária do frete marítimo propriamente dito
  • Permitir ao armador repassar ao exportador ou ao importador a capatazia paga ao terminal
  • Compor o custo de importação e, conforme o Tema 1.014 do STJ, o valor aduaneiro da mercadoria
  • Diferenciar a movimentação padrão de serviços adicionais, como a segregação e entrega (SSE/THC-2)

THC x THC-2 x Estiva: qual a diferença?

TermoO que remuneraQuem cobra
THC (Terminal Handling Charge)Capatazia: movimentação da carga entre o portão do terminal e o costado do navioArmador, que repassa ao exportador ou importador o valor pago ao terminal
THC-2 (SSE)Segregação e entrega do contêiner importado a um recinto alfandegado independenteTerminal portuário
EstivaMovimentação da carga a bordo da embarcaçãoOperador portuário, remunerado pelo armador na operação do navio

Perguntas frequentes sobre THC

THC e capatazia são a mesma coisa?

Na prática, sim. Capatazia é o nome legal do serviço, definido na Lei nº 12.815/2013, e THC é o nome comercial da taxa que remunera esse serviço na movimentação de contêineres. Por isso as duas expressões aparecem como sinônimos em faturas e cotações.

Quem paga o THC na exportação e na importação?

O terminal cobra o armador pela movimentação, e o armador repassa o THC ao cliente: normalmente o exportador arca com o THC de origem e o importador com o THC de destino. O Incoterm negociado define quem assume cada um na relação comercial.

A cobrança do THC-2 é legal?

Em março de 2026, a 2ª Turma do STF anulou as decisões do TCU que proibiam a cobrança e restabeleceu a Resolução ANTAQ nº 72/2022, o que permite o THC-2 dentro das regras da agência. O tema, porém, não está encerrado: a discussão concorrencial e as questões levantadas pelos recintos independentes seguem em aberto.

O THC entra na base de cálculo do Imposto de Importação?

Segundo o STJ, sim. No Tema Repetitivo 1.014, o tribunal decidiu que os serviços de capatazia integram o valor aduaneiro e, portanto, a base de cálculo do Imposto de Importação.

Continue aprendendo

Explore outros termos do Dicionário da Logística e aprofunde seus conhecimentos.

Voltar ao dicionário