O que é GRIS e Ad Valorem?
No frete rodoviário fracionado, o preço costuma ser montado em componentes: frete peso (pelo peso real ou cubado), frete valor ou ad valorem, GRIS, pedágio e taxas adicionais. O ad valorem e o GRIS têm a mesma base de cálculo, o valor da mercadoria na nota fiscal, mas finalidades diferentes. Pela tabela referencial da NTC&Logística, citada pelo SETCESP, o frete valor se destina a cobrir os custos com o seguro obrigatório do transportador e das instalações, a administração desses seguros e as indenizações por danos não cobertos por apólice, como avarias de manuseio, extravios e furtos simples.
Já o GRIS, segundo a NTC&Logística, cobre os custos específicos do combate ao roubo de cargas: prevenção (segurança patrimonial, rastreamento de veículos), redução de risco (limitar o valor de mercadoria por veículo, o que gera ociosidade) e transferência de risco (seguro de desaparecimento de carga), além da mão de obra dessas atividades. O ponto que o SETCESP faz questão de frisar é que frete valor não é seguro: o embarcador que paga ad valorem não está, por isso, segurando a própria mercadoria.
Como são calculados
As duas taxas são um percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal. A diferença está no que faz o percentual variar: na tabela referencial da NTC&Logística, a alíquota do ad valorem cresce com a distância, porque quanto mais tempo a carga fica sob responsabilidade do transportador, maior o risco; o GRIS não depende da distância, e sim do tipo de produto e do risco da rota.
- Ad valorem = valor da NF-e × alíquota de frete valor (conforme faixa de distância e tabela da transportadora)
- GRIS = valor da NF-e × alíquota de GRIS (conforme produto e risco da rota)
- Exemplo ilustrativo: uma carga de R$ 200.000 com ad valorem de 0,3% e GRIS de 0,2% paga R$ 600 de frete valor e R$ 400 de GRIS, além do frete peso
- Produtos de alto valor e muito visados, como eletrônicos, medicamentos e cigarros, costumam ter GRIS maior e exigências adicionais de segurança
- Alíquotas e mínimos variam entre transportadoras e são negociáveis, por isso precisam constar na tabela de frete acordada
Como as duas taxas dependem do valor da nota, um erro de cadastro ou uma NF-e com valor errado mudam o frete cobrado. Conferir o CT-e contra a tabela na gestão de frete é a forma de pegar divergências antes de pagar a fatura.
GRIS x Ad Valorem x Frete Peso: qual a diferença?
| Componente | Base de cálculo | O que cobre |
|---|---|---|
| Frete peso | Peso real ou cubado, o que for maior, e distância | Custo de deslocamento e manuseio da carga |
| Ad valorem (frete valor) | Percentual do valor da NF-e, variando com a distância | Seguro obrigatório do transportador e indenizações não seguradas |
| GRIS | Percentual do valor da NF-e, independente da distância | Prevenção e gerenciamento de risco de roubo |
| Pedágio | Valor das praças no percurso | Pedágio da rota; no lotação, pago via Vale-Pedágio obrigatório |
Perguntas frequentes sobre GRIS e Ad Valorem
Ad valorem é seguro da carga?
Não. O ad valorem, ou frete valor, remunera os custos do transportador com seus seguros obrigatórios e com indenizações não cobertas por apólice. Quem quer proteger a própria mercadoria precisa de seguro de transporte do embarcador.
Qual a diferença entre GRIS e ad valorem?
O ad valorem cobre seguros e indenizações e, na tabela referencial da NTC, varia com a distância. O GRIS cobre o gerenciamento de risco de roubo e não depende da distância. Os dois são percentuais sobre o valor da nota fiscal.
Como calcular o GRIS?
Multiplicando o valor da mercadoria na nota fiscal pelo percentual de GRIS acordado com a transportadora. O percentual depende do tipo de produto e do risco da rota.
GRIS e ad valorem são obrigatórios por lei?
São taxas comerciais, não tributos. Em geral aparecem como componentes do valor da prestação no CT-e e podem ser negociadas na tabela de frete.
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