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Cabotagem

Cabotagem — Cabotagem

Cabotagem é a navegação realizada entre portos ou pontos do território brasileiro, usando a via marítima ou a via marítima combinada com rios navegáveis. Na logística, o termo designa o transporte doméstico de cargas por navio — como uma rota Santos–Manaus ou Rio Grande–Suape —, alternativa ao caminhão em longas distâncias e operada por empresas brasileiras de navegação, com regras definidas pela Lei nº 9.432/1997 e pelo programa BR do Mar.

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O que é Cabotagem?

Cabotagem é o transporte aquaviário feito entre dois pontos do mesmo país. No Brasil, a definição está no art. 2º, inciso IX, da Lei nº 9.432/1997: navegação de cabotagem é "a realizada entre portos ou pontos do território brasileiro, utilizando a via marítima ou esta e as vias navegáveis interiores". Por isso, uma rota que sai de Santos pelo mar e sobe o Rio Amazonas até Manaus também é cabotagem, e não navegação interior.

A mesma lei reserva a cabotagem a empresas brasileiras de navegação (EBN), autorizadas pela ANTAQ. Navios estrangeiros só podem operar nessa navegação quando afretados por uma EBN, nas hipóteses previstas nos arts. 7º, 9º e 10 da lei — por exemplo, quando não há embarcação de bandeira brasileira disponível. É uma regra de proteção comum em vários países, e é ela que diferencia a cabotagem do longo curso, aberto a armadores do mundo todo.

Em volume, a cabotagem brasileira é dominada pelo petróleo e seus derivados, mas o segmento de contêineres é o que mais interessa ao embarcador de carga geral. Segundo dados da ANTAQ divulgados em fevereiro de 2026, a cabotagem movimentou 303,7 milhões de toneladas em 2025, alta de 3,4% sobre o ano anterior.

Como funciona o transporte por cabotagem?

Na prática, a cabotagem de contêineres é vendida como um serviço porta a porta: o navio faz o trecho longo e o caminhão resolve as pontas. Uma operação típica segue estas etapas:

  • Booking: o embarcador reserva espaço com a empresa de navegação, informando origem, destino, tipo de contêiner e data de embarque
  • Coleta rodoviária: o contêiner vazio é retirado no terminal ou depot, estufado no cliente e levado de volta ao terminal de embarque
  • Emissão dos documentos: a empresa de navegação emite o CT-e do modal aquaviário e o MDF-e da viagem, e a carga é registrada no Sistema Mercante, que gera o CE Mercante e a base do AFRMM
  • Navegação: o navio segue sua escala programada pela costa, com tempo de trânsito de dias a semanas, conforme a rota e o número de escalas
  • Descarga e entrega: o contêiner é descarregado no porto de destino e segue por caminhão até o destinatário, onde é desestufado e devolvido vazio

Como a viagem marítima é mais longa e depende da janela do navio, a cabotagem funciona melhor para cargas com demanda previsível. O embarcador costuma planejar o estoque no destino considerando o lead time completo, inclusive as pernas rodoviárias e o tempo de espera no terminal.

Quais as vantagens e limitações da cabotagem?

VantagensLimitações
Custo por tonelada menor que o rodoviário em rotas longas, como Sul/Sudeste–Nordeste e Sudeste–ManausTempo de trânsito maior e dependência da escala do navio
Menor risco de roubo de carga e de avaria por manuseioNecessidade de transporte rodoviário nas duas pontas, com custo de coleta e entrega
Grande capacidade por viagem e menos caminhões nas rodoviasOferta de navios e frequência de escalas limitadas em algumas rotas
Menor emissão de CO₂ por tonelada transportadaSujeita a congestionamento portuário, omissão de escala e janelas de atracação

O que mudou com o BR do Mar?

A Lei nº 14.301/2022 instituiu o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem, conhecido como BR do Mar. O objetivo declarado é ampliar a oferta e a qualidade da cabotagem, estimular a concorrência e aumentar a disponibilidade de frota no país.

A principal mudança foi flexibilizar o afretamento de navios estrangeiros por empresas brasileiras de navegação. A lei abriu o afretamento a casco nu com suspensão de bandeira de forma escalonada — uma embarcação no primeiro ano, chegando a quatro no quarto ano e passando a livre a partir daí, observadas as regras de segurança. Também criou hipóteses de afretamento para substituir navios em construção ou em reparo e para operações especiais de cabotagem. Na mesma lei, a alíquota do AFRMM na cabotagem passou a ser de 8% sobre o frete, igual à do longo curso.

Cabotagem x Longo Curso x Navegação Interior: qual a diferença?

Tipo de navegaçãoTrajetoQuem pode operar
CabotagemEntre portos ou pontos do território brasileiro, pelo mar ou mar e rios combinadosEmpresas brasileiras de navegação; estrangeiros só afretados por uma EBN
Longo cursoEntre portos brasileiros e portos estrangeirosArmadores brasileiros e estrangeiros, sem reserva de bandeira
Navegação interiorApenas por hidrovias interiores, em percurso nacional ou internacionalEmpresas brasileiras de navegação; estrangeiros só afretados por uma EBN

Perguntas frequentes sobre Cabotagem

Qual a diferença entre cabotagem e longo curso?

A cabotagem liga portos dentro do Brasil e é reservada a empresas brasileiras de navegação. O longo curso liga portos brasileiros a portos estrangeiros, ou seja, é a navegação usada na importação e na exportação, e pode ser operado por armadores de qualquer país.

Navio estrangeiro pode fazer cabotagem no Brasil?

Só quando afretado por uma empresa brasileira de navegação, nas condições da Lei nº 9.432/1997. O BR do Mar ampliou essas hipóteses, mas a operação continua vinculada a uma EBN autorizada pela ANTAQ.

Quais documentos são emitidos no transporte por cabotagem?

A empresa de navegação emite o CT-e do modal aquaviário, que acompanha a carga pelo DACTE, e o MDF-e da viagem. A carga também é registrada no Sistema Mercante, que gera o CE Mercante e calcula o AFRMM devido. A mercadoria segue com a NF-e do embarcador.

Cabotagem paga AFRMM?

Sim. A alíquota é de 8% sobre o frete aquaviário, cobrada no descarregamento em porto brasileiro. Há casos de não incidência, como cargas com origem ou destino final em portos das regiões Norte e Nordeste, conforme a legislação do AFRMM.

Quando vale a pena trocar o caminhão pela cabotagem?

Em rotas longas entre regiões litorâneas, com volume constante e prazo de entrega planejado com antecedência. Para cargas urgentes, de baixo volume ou com origem e destino longe dos portos, o rodoviário costuma ser mais competitivo.

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